A história do Gama ajuda a explicar a formação de Brasília para além do Plano Piloto. Criada em 1960, a região reúne referências das antigas fazendas que existiam antes da nova capital, vestígios do processo de ocupação do território e espaços associados à trajetória dos primeiros moradores do Distrito Federal.
Localizado na porção sudoeste do Distrito Federal, o Gama teve seu primeiro núcleo habitacional implantado no ano da inauguração de Brasília. A região foi oficialmente consolidada como Região Administrativa em 1964, quando o território do DF foi dividido em oito administrações. (pdad.ipe.df.gov.br)
Das fazendas à nova capital
Antes da construção de Brasília, as terras que formam o Gama eram ocupadas por comunidades indígenas, passaram pela presença de bandeirantes e integravam áreas vinculadas ao antigo território de Santa Luzia, em Goiás. A Fazenda Gama tornou-se uma das referências geográficas utilizadas na organização do novo Distrito Federal.
O início da ocupação urbana ocorreu em um cenário precário. As primeiras edificações eram de madeira e não contavam com serviços básicos, como água encanada, iluminação pública e rede de esgoto. O núcleo foi planejado para receber parte da população que se concentrava em áreas próximas ao Plano Piloto e também para abrigar moradores removidos de ocupações consideradas irregulares na época. (pdad.ipe.df.gov.br)
Memória que não se limita ao Plano Piloto
A preservação da história de Brasília costuma ser associada aos monumentos projetados por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, mas o patrimônio do Distrito Federal é mais amplo. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ele inclui bens anteriores à construção da capital, estruturas produzidas durante sua implantação, cidades do entorno do Plano Piloto e referências culturais ligadas à consolidação do DF.
Nessa perspectiva, o Gama ocupa posição importante. A região revela como a nova capital foi formada não apenas por edifícios monumentais, mas também por núcleos habitacionais, áreas rurais, caminhos, equipamentos comunitários e experiências sociais construídas ao longo das décadas. (gov.br)
Casas, capelas e paisagens históricas
Entre os pontos associados à memória regional estão a Casa Velha do Gama, o Museu do Catetinho e a Capela São Francisco de Assis. Esses espaços ajudam a conectar o presente às etapas de ocupação do território e ao período em que Brasília ainda estava em construção.
A preservação também se relaciona à paisagem. Parques, áreas de cerrado, nascentes e cursos d’água formam parte do cenário que antecede a capital e continuam presentes no cotidiano da região. O patrimônio, nesse caso, não é apenas arquitetônico: envolve também a relação entre natureza, território e modos de vida.
Uma cidade que conta outra parte de Brasília
O Gama mostra que a memória de Brasília não está concentrada em uma única área. Enquanto o Conjunto Urbanístico do Plano Piloto é protegido por normas específicas e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade, outras regiões ajudam a preservar as histórias sociais e territoriais que deram sustentação à capital.
O Iphan destaca que a proteção do conjunto urbanístico de Brasília precisa considerar as transformações de uma cidade em desenvolvimento. A trajetória do Gama reforça esse desafio: preservar referências do passado sem interromper a vida urbana e as necessidades atuais da população. (gov.br)
Conhecer a história do Gama, portanto, é compreender que Brasília foi construída por diferentes lugares e grupos. A região guarda parte dessa memória e amplia a leitura sobre a capital brasileira, revelando a dimensão cotidiana, territorial e humana do projeto iniciado na década de 1950.
Fontes: PDAD-A 2024, do IPEDF Codeplan; Iphan — Patrimônio Material; Iphan — Conjunto Urbanístico de Brasília.



