sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Cidade

Candangolândia preserva memórias dos primeiros anos de Brasília

Candangolândia surgiu como um acampamento oficial da Novacap em 1956 e preserva referências dos primeiros anos da construção de Brasília, como antigas moradias, equipamentos públicos e a memória dos candangos.

A Candangolândia, no Distrito Federal, mantém parte das lembranças dos primeiros anos de Brasília. Criada em 1956, ainda antes da inauguração da nova capital, a região surgiu como um dos primeiros acampamentos oficiais de apoio à obra conduzida pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, a Novacap.

O local foi planejado para atender trabalhadores, técnicos e funcionários envolvidos na construção da capital. Por isso, reuniu estruturas que iam além das moradias: havia a sede da Novacap, residências de equipes administrativas e técnicas, posto de saúde, hospital, posto policial, restaurantes, escola e uma caixa-forte usada para garantir o pagamento dos operários.

De Vila Operária a Candangolândia

Nos primeiros anos, o núcleo ficou conhecido como Vila Operária, em referência aos trabalhadores que viviam no acampamento. Depois, passou a ser chamado de Vila dos Candangos, expressão relacionada aos operários que chegaram de diferentes regiões do país para participar da construção de Brasília.

O nome Candangolândia consolidou-se como uma homenagem a esses pioneiros. A palavra “candango”, empregada para identificar os trabalhadores da obra, tornou-se uma das principais referências da identidade histórica do Distrito Federal.

A intenção inicial do governo era que os acampamentos fossem provisórios. Com a conclusão da capital e a transferência dos serviços para outras áreas, essas comunidades deveriam desaparecer ou ser desmobilizadas. A permanência dos moradores, porém, ajudou a transformar a Candangolândia em um núcleo urbano estável.

Marcas da construção da capital

A paisagem da região ainda guarda elementos associados ao período da construção de Brasília. Casas de madeira, espaços comunitários e antigos equipamentos públicos são lembrados como parte do patrimônio dos pioneiros. A Câmara Legislativa do Distrito Federal também destaca a existência de referências como a primeira escola e a primeira igreja relacionadas à formação da capital.

Esses vestígios ajudam a contar uma história que não se limita ao Plano Piloto ou aos edifícios projetados por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Eles registram o cotidiano de quem trabalhou nos canteiros, abriu caminhos, montou estruturas de apoio e formou as primeiras comunidades do Distrito Federal.

Reconhecimento como região administrativa

A Candangolândia foi reconhecida como núcleo urbano permanente em 1989. Até então, fazia parte da Região Administrativa do Núcleo Bandeirante. Em janeiro de 1994, a Lei nº 658 oficializou a Região Administrativa da Candangolândia, identificada como RA XIX.

O processo de reconhecimento refletiu a permanência da população e a importância histórica do local. A região deixou de ser apenas um acampamento ligado à obra de Brasília e passou a integrar oficialmente a estrutura urbana do Distrito Federal.

Memória dos pioneiros

A preservação da memória candanga também se relaciona a iniciativas culturais e patrimoniais existentes no Distrito Federal, como o Museu Vivo da Memória Candanga, criado para reunir documentos, objetos, fotografias e relatos sobre os trabalhadores que participaram da construção da capital.

Ao preservar seus espaços e histórias, a Candangolândia ajuda a ampliar a compreensão sobre Brasília. A região mostra que a cidade planejada nasceu não apenas de projetos urbanísticos e obras monumentais, mas também do trabalho cotidiano de milhares de pessoas que chegaram ao Planalto Central e deram forma à nova capital.

Fontes: PDAD do Distrito Federal, Câmara Legislativa do Distrito Federal e Iphan.