por Paula Litaiff
02 de fevereiro de 2024 às 08:00
Urna eletrônica em cima de um tabuleiro (Composição de Paulo Dutra/Revista Cenarium)
“Toda vez que você coloca um sujeito num lugar de exceção, você desliga ele do seu lugar de origem”, disse uma das maiores escritoras brasileiras contemporâneas, Maria da Conceição Evaristo de Brito, ao explicar a estratégia do sistema político para desconstruir a identidade ancestral dos povos e garantir seu alijamento no processo de formação da consciência social.
Aos 75 anos, Conceição Evaristo, representante da literatura afro-brasileira, diz não abdicar do voto nas eleições, apesar de não lhe ser obrigatório. O ativismo de Conceição é voltado à população negra e pode ser aplicado a todo grupo social historicamente alvo de subalternização. O jogo eleitoral da exceção é camuflado de ideologia e religiosidade e só pode ser combatido se houver consciência de seus efeitos letais para a sociedade.
Pensando em trazer a reflexão sobre o protagonismo social neste ano, a REVISTA CENARIUM traz, nesta edição, reportagens com opiniões de especialistas sobre o que está em jogo na agenda socioambiental e de sobrevivência dos povos nas eleições de 2024, e como o processo pode intervir na crise climática e na biodiversidade.
Vivemos um ano de 2023 carregado do peso pela negação ambiental deixada por omissões administrativas passadas e pela irresponsabilidade do mundo com a exploração econômica. O Amazonas sofreu uma das maiores secas dos últimos 121 anos, forçada pelo El Niño; o Brasil perdeu um território do tamanho do Uruguai para as queimadas, com prejuízos para os biomas da Amazônia e do Pantanal; a crise sanitária continua latente na Terra Yanomami (RR) tomada pelo garimpo ilegal. Não saímos do discurso e o debate socioambiental arrefeceu no início deste ano.
É neste momento que se faz premente a análise sobre o cenário de exceção e a perda de protagonismo de determinados grupos sociais que somam a maioria do eleitorado, mas acabam virando massa de manobra para quem detém o poder político e o poder econômico. O conhecimento ainda é a melhor arma para combater a subalternização nas eleições e a CENARIUM se coloca como um veículo de comunicação potencializador deste debate.
Paula Litaiff é jornalista, pesquisadora, empresária da comunicação e uma das principais referências do jornalismo independente voltado à Amazônia brasileira. Com mais de duas décadas de atuação profissional, consolidou sua carreira por meio da produção de reportagens investigativas, da defesa da liberdade de imprensa e da cobertura de temas relacionados à política, meio ambiente, direitos humanos, povos tradicionais e desenvolvimento sustentável. É fundadora e diretora-geral da Revista Cenarium, veículo de comunicação multiplataforma sediado em Manaus (AM), reconhecido nacionalmente pela cobertura especializada da região amazônica.
Natural do Estado do Amazonas, Paula Litaiff é mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), especialista em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos, além de graduada em Jornalismo. Sua formação acadêmica está diretamente ligada às questões sociais, políticas e culturais da Amazônia, refletindo-se em sua produção jornalística e em suas pesquisas voltadas à realidade amazônica.
Ao longo da carreira, especializou-se na cobertura de grandes temas nacionais e internacionais envolvendo a Amazônia Legal. Suas reportagens abordam questões ambientais, mudanças climáticas, desenvolvimento regional, direitos dos povos indígenas, governança pública, economia da floresta, democracia, justiça social e combate à desinformação. Sua atuação contribuiu para ampliar a presença da Amazônia no debate nacional e internacional por meio de uma abordagem baseada em investigação, análise de dados e aprofundamento dos fatos.
Em 2019, fundou a Rede Cenarium, grupo de comunicação que reúne a Revista Cenarium, Agência Cenarium e outros projetos editoriais. O veículo tornou-se referência na cobertura jornalística da Amazônia, produzindo conteúdo multimídia distribuído em plataformas digitais, revista impressa, vídeos, podcasts e reportagens especiais. A linha editorial prioriza o jornalismo investigativo, a defesa dos direitos humanos, a valorização da ciência, da cultura amazônica e da preservação ambiental.
Sua experiência também alcançou o audiovisual. Paula Litaiff colaborou na produção do documentário “Bandidos na TV” (Killer Ratings), lançado mundialmente pela Netflix, obra que investiga a relação entre política, mídia e crime organizado no Amazonas. Posteriormente, passou também a atuar como narradora do documentário em sua versão internacional.
Além da atuação jornalística, Paula Litaiff desenvolve atividades acadêmicas e de pesquisa. É integrante do Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (GEPOS), da Universidade Federal do Amazonas, onde desenvolve pesquisas relacionadas à participação política feminina, gênero e movimentos sociais na Amazônia. Seu trabalho de mestrado sobre mulheres indígenas foi reconhecido em eventos científicos da região Norte. Também é coorganizadora da obra “Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia”, contribuindo para a produção de conhecimento sobre a realidade amazônica.
Como palestrante, participa frequentemente de congressos, seminários e fóruns nacionais voltados ao jornalismo investigativo, inovação na comunicação, democracia, combate à desinformação e cobertura da Amazônia. Entre os eventos em que participou destacam-se o Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji e o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, debatendo temas como segurança de jornalistas, cobertura socioambiental e fortalecimento do jornalismo regional.
Ao longo dos últimos anos, Paula Litaiff consolidou-se como uma das vozes mais influentes do jornalismo amazônico. Seus editoriais abordam frequentemente democracia, políticas públicas, desenvolvimento sustentável, igualdade de gênero, proteção da floresta e fortalecimento das instituições democráticas, buscando ampliar o debate público sobre os desafios e oportunidades da Amazônia.
Seu trabalho também recebeu reconhecimento nacional. Em 2025, foi indicada ao prêmio 100+ Jornalistas Mais Admirados do Brasil, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo Jornalistas&Cia., distinção concedida a profissionais que se destacam pela relevância, credibilidade e impacto na comunicação brasileira.
Atualmente, Paula Litaiff segue à frente da Revista Cenarium e de seus projetos editoriais, dedicando-se à produção de jornalismo independente, investigativo e de interesse público, com foco permanente na Amazônia e em temas que influenciam o desenvolvimento social, ambiental e político do Brasil.
Publicado em: 31/07/2026 às 21:04

