Por Paula Litaiff
O Brasil atravessa uma eleição em que a emergência climática deveria ocupar o centro das propostas de governo, especialmente na Amazônia. Não ocupa. Levantamento da REVISTA CENARIUM mostra que 26 dos 56 candidatos aos governos dos nove Estados da Amazônia Legal não tratam expressamente da crise climática ou da adaptação aos seus efeitos nos programas analisados.
É a ausência política preocupante diante de uma região que já enfrenta, no presente, aquilo que durante décadas foi tratado como previsão para o futuro. A emergência não está só no termômetro, está nos rios, nas florestas e na economia.
O Amazonas decretou situação de emergência. Manaus registrou mais de 37°C em agosto; Mato Grosso e Tocantins ultrapassaram os 40°C. Em outras regiões brasileiras, chuvas intensas e vendavais produzem o extremo oposto da mesma crise. A intensificação do super El Niño amplia a ameaça de secas, incêndios, ondas de calor e enchentes justamente no período eleitoral.
Diante dessa realidade, tratar o clima como um apêndice de programas de meio ambiente já não é suficiente. A crise climática é uma questão de saúde pública, infraestrutura, economia, segurança alimentar, transporte, educação e sobrevivência.
Por outro lado, há soluções que estão na própria natureza. Em aula magna realizada na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o climatologista Carlos Nobre, uma das principais referências científicas brasileiras sobre a Amazônia, apresentou soluções que deveriam estar sobre a mesa de qualquer candidato que pretenda governar a região: restaurar em larga escala áreas degradadas, interromper o desmatamento, desenvolver uma economia sustentada pela biodiversidade e aproximar ciência e tecnologia das comunidades amazônicas.
Nas eleições de 2026, perguntar qual é a proposta do seu candidato para o clima deixou de ser apenas uma questão ambiental e muito menos ideológica. É perguntar como ele pretende garantir água, alimento, energia, saúde, transporte e emprego diante de eventos extremos cada vez mais frequentes. É perguntar, sobretudo, qual Amazônia e Brasil existirão ao final do próximo mandato.
O assunto foi tema de capa e especial jornalístico da nova edição digital/impressa da REVISTA CENARIUM, veículo de comunicação que atuo como diretora-geral. Acesse aqui para ler o conteúdo completo.
Sobre a Rede Cenarium
A Rede Cenarium é um grupo de comunicação sediado na Amazônia, com atuação jornalística em temas políticos, sociopolíticos, socioeconômicos, ambientais, direitos humanos, saberes tradicionais dos povos brasileiros e conhecimento científico.
Sua produção jornalística é desenvolvida em diferentes plataformas, reunindo revista eletrônica e impressa, agência de notícias e TV Web, com conteúdos produzidos a partir da Amazônia e distribuídos para leitores dentro e fora da região.
A estrutura editorial da Cenarium reúne jornalistas, professores, pesquisadores, economistas, advogados, ecocomunicadores e representantes da sociedade civil, incluindo profissionais e especialistas que atuam diretamente nos territórios abordados pelas reportagens.
Entre os princípios editoriais apresentados pela Rede estão a diversidade, a pluralidade, a promoção da equidade social e o enfrentamento ao racismo e à xenofobia. Esses temas aparecem tanto na definição das pautas quanto na escolha de fontes e na abordagem de questões sociais, ambientais e culturais relacionadas principalmente à Amazônia.
A presença de um veículo de comunicação produzido a partir da região contribui para ampliar a circulação nacional de pautas amazônicas e para que acontecimentos locais sejam apresentados também a partir do olhar de jornalistas, pesquisadores, especialistas e populações que vivenciam diretamente essa realidade.
Sobre Paula Litaiff
Paula Litaiff é jornalista e pesquisadora amazonense, fundadora e publisher da Rede Cenarium. É mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e desenvolve sua trajetória profissional com forte presença na cobertura de temas relacionados à Amazônia, política, questões sociais, direitos humanos, meio ambiente e povos tradicionais.
A própria Revista Cenarium identifica Paula Litaiff como sua fundadora e publisher e registra seu trabalho à frente do projeto jornalístico. Em artigos publicados pela revista, ela também é apresentada como pesquisadora e integrante do Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (Gepos), ligado à Ufam.
Sua atuação tem importância especialmente por contribuir para a produção de jornalismo feito a partir da Amazônia, levando ao debate público questões que ultrapassam as fronteiras da região, como mudanças climáticas, preservação ambiental, desigualdades sociais, direitos das populações amazônicas e os impactos das decisões políticas sobre esses territórios.
Ao longo de sua trajetória, Paula Litaiff tem participado da construção de um espaço jornalístico que busca colocar a Amazônia não apenas como objeto da notícia, mas também como lugar de produção de informação, investigação, análise e conhecimento.
Essa perspectiva ganha relevância em um momento no qual temas amazônicos — da emergência climática aos direitos dos povos tradicionais — assumem dimensão nacional e internacional. A presença de jornalistas que conhecem e acompanham diretamente a realidade regional amplia a diversidade de fontes, perspectivas e narrativas disponíveis no jornalismo brasileiro.
Autora: Paula Litaiff
Jornalista, pesquisadora, fundadora e publisher da Rede Cenarium.
Este artigo é de autoria de Paula Litaiff e foi originalmente publicado pela Revista Cenarium.








